Dois

Memelihara Naga Puding Karamel 3141字 2026-03-14 14:31:36

3. O sorriso da concubina

O imperador veio ao Palácio Yuqing sob o pretexto de visitar seu quarto filho. O príncipe herdeiro, perspicaz, arranjou logo uma desculpa dizendo que havia um memorial de significado obscuro que desejava buscar para consultar com o pai, e retirou-se com discrição. O imperador anuiu, e logo o Salão Dunben ficou apenas com Kangxi e Yin Zhen sentados em silêncio, frente a frente.

— Meu pequeno Quatro — ponderou o imperador, escolhendo as palavras com cuidado —, tua mãe, a Consorte De, originalmente tencionava criar-te novamente junto a si. Mas, como sabes, o Décimo Quarto acaba de nascer, e volta e meia perturba a paz de toda a corte. Permanecendo aqui, poderás dedicar-te aos estudos com tranquilidade.

Yin Zhen sabia o quanto custava ao velho proferir tais palavras; mais adiante, quando os filhos crescessem, ele já não teria essa paciência amorosa — se não os amaldiçoasse até à exaustão, já seria um pai misericordioso. Por isso, respondeu com certa ansiedade:

— Minha mãe, naturalmente, também sente saudades do filho. Não há, no mundo, mãe e filho de corações separados; onde quer que eu esteja, ela será sempre minha mãe.

No íntimo, o coração de vidro de Yin Zhen já se despedaçara há muito — nem na vida passada conseguira colar os cacos. Nesta existência, se voltasse a ser ferido, que mal haveria? Se quisesse ser orgulhoso, poderia pensar que um filho adotivo da imperatriz dificilmente retornaria ao seio de uma concubina; se fosse possível, por que o príncipe herdeiro não era igualmente entregue a outra ama? Portanto, não era ele indigno do afeto das consortes, mas sim elas que não estavam à sua altura.

Naquele dia, Kangxi estava satisfeito com tudo que vira e ouvira — o príncipe herdeiro era afetuoso com os irmãos, o quarto filho sensato e obediente, não dando trabalho e sabendo se compadecer das dificuldades alheias. Tudo fruto de sua influência sutil, pensava o imperador, e os tutores mereciam recompensa.

Por fim, houve tempo para uma conversa privada entre o príncipe herdeiro e o imperador, pai afetuoso e filho piedoso em harmonia. O imperador, atarefado, não permaneceu para a refeição e logo retornou ao Palácio Qianqing para analisar os memorandos. Yin Zhen trocou algumas palavras cerimoniosas com o príncipe herdeiro e, em seguida, retirou-se para o aposento lateral oeste, onde continuou sua reclusão. Deveria guardar luto por três anos pela imperatriz Tong, abstendo-se de carnes e iguarias, jantando quase sempre a sós.

Su Peisheng veio servi-lo, trazendo água para lavar as mãos e chá; de repente, Yin Zhen perguntou:

— Nestes últimos dias, quem veio visitar-me?

Su Peisheng respondeu prontamente:

— O Terceiro e o Quinto Príncipe enviaram pessoas para cumprimentá-lo; ontem, o Sétimo e o Oitavo vieram juntos e até tomaram um lanche com Vossa Alteza. Lembra-se disso?

Yin Zhen disse diretamente:

— Se eu não lembrasse, para que serviria um servo como tu? Só estava a pôr-te à prova. Chega, não peças desculpa; guarda tua reverência no coração. Disseste que o Sétimo e o Oitavo vieram; comentaram quando pretendem retornar?

Su Peisheng observou cuidadosamente o semblante do amo e, vendo que ele não estava realmente zangado, sorriu e respondeu:

— O Sétimo e o Oitavo Príncipe têm lições diárias; como poderiam vir todos os dias? Deseja que eu envie um presente em retribuição, sondando ao mesmo tempo?

Yin Zhen não respondeu nem sim nem não. Servos que o atenderam eram inúmeros, mas só a Su Peisheng concedera o favor de um enterro digno, permitindo-lhe acompanhá-lo desde a residência do príncipe até o Palácio Yangxin. Mesmo quando Su Peisheng mais tarde foi desrespeitoso com Hongli, Yin Zhen nunca o desprezou — era leal e astuto, um talento raro.

Percebendo, Su Peisheng entendeu que suas palavras estavam de acordo com a vontade do senhor. Após servi-lo durante o jantar, lá foi ele cumprir a missão.

À noite, sob a luz das lamparinas, Yin Zhen copiava sutras para a alma da imperatriz Tong, enquanto maquinava como, sob o olhar atento do príncipe herdeiro, poderia manter por mais de meio ano um contato secreto com o velho Oito. Quando a mãe Tong faleceu, era o vigésimo oitavo ano de Kangxi; o velho Oito tinha apenas oito anos, misturando-se com o velho Nove e outros — se o ignorasse por meio ano, decerto se perderia, não podendo deixá-lo ao acaso.

Logo, Su Peisheng trouxe uma notícia: o Oitavo Príncipe, após a visita da véspera, resfriara-se e adoecera, faltando inclusive à aula no Salão Wu Yi.

Yin Zhen não conseguiu conter-se:

— Doente? Doente, que maravilha!

O essencial era que, ao adoecer, o coração tornava-se mais maleável — e este era o momento ideal para que ele, Yin Zhen, fosse confortar o velho Oito, oportunidade que não se devia perder. Quanto ao que pensassem o príncipe herdeiro e a concubina Hui, pouco lhe importava. Afinal, tinha apenas onze anos; o imperador gostava de ver os irmãos unidos.

Decidido, aproveitou a juventude para agir sem hesitação. Pediu a Su Peisheng que colocasse as frutas frescas, presenteadas pelo príncipe herdeiro durante o jantar, numa caixa, e foi pessoalmente declarar a intenção de visitar o Oitavo Irmão enfermo.

O príncipe herdeiro sorriu:

— Vocês, mais novos, realmente são unidos; já guardam no coração as palavras do pai de hoje cedo? Não fosse por tantos memorandos, eu mesmo deveria ir. Vá, é bom manter contato. Leve também este par de ruyi de jade para o Oitavo, que cuide bem da saúde.

Yin Zhen fingiu não compreender a insinuação sarcástica do príncipe herdeiro e, respeitosamente, saiu do salão segurando os ruyi. Com tal presente, não era mais uma visita privada, mas sim uma missão em nome do príncipe herdeiro, podendo dirigir-se com desenvoltura ao Palácio Zhongcui.

O Primeiro Príncipe já contava dezessete anos e acabara de abrir residência fora do palácio. Yin Si chegara à idade de ir para o pavilhão dos príncipes, mas Kangxi, compadecendo-se da concubina Hui, que perderia dois filhos de uma vez, permitiu que o Oitavo Príncipe permanecesse no Palácio Zhongcui.

Yin Zhen refletia sobre como o velho imperador gostava de usar os filhos para consolar concubinas idosas ou desacreditadas — não enviara o velho Doze a Su Ma La Gu para que lhe fizesse companhia nos dias de solidão?

Por vezes, Yin Zhen se inquietava: seria obrigado a ver, de olhos abertos, o velho Oito ser “casado” para apaziguar o Príncipe An? Aquela miserável da família Guo Luo Luo, se dada ao velho Oito, só traria infortúnios.

Perdido em devaneios, Yin Zhen já havia cumprimentado a concubina Hui e, guiado por um jovem eunuco, dirigia-se ao aposento lateral onde residia Yin Si.

— Oitavo Príncipe, o Quarto veio visitá-lo! — anunciou o eunuco, batendo à porta curvado.

Ouviram-se sons abafados do interior, e uma voz infantil, límpida e doce, ecoou:

— Quarto Irmão, entre logo!

— Todos vocês, fiquem aí fora — ordenou Yin Zhen, deixando os servos do lado de fora. Levando a caixa de iguarias, entrou na câmara, e ao erguer os olhos viu um pequeno embrulho agitando-se sob o edredom de brocado, esforçando-se por espiar em sua direção.

Sorrindo, Yin Zhen aproximou-se e murmurou:

— Se vais fingir doença, faze-o direito, ou logo descobrirão a farsa.

O menino na cama respondeu com um resmungo abafado, enfiando-se de novo sob o cobertor com um suspiro resignado.

Só então Yin Zhen pôde observá-lo melhor: a pele leitosa do pequeno era de uma beleza impressionante, os olhos negros como vidro ainda sem a mancha do poder e da intriga, e o brilho travesso das pequenas traquinagens reluzia inegável em seu olhar. O velho Oito, nesta altura, ainda se comprazia secretamente em travessuras longe dos adultos — nada mais que uma raposinha precoce, mas ainda de leite na boca.

A boa aparência da concubina Liang transmitira-se a Yin Si, e a astúcia viril do pai formava nele uma aura que Yin Zhen julgava digna do epíteto: “coelho branco que devora tigres”.

Yin Zhen quase podia antever aquele menino, adulto, dançando com mestria entre os príncipes da casa imperial, habilidoso e sagaz.

— Tão pequeno e já suspirando? Quem ousou te fazer sofrer? — provocou Yin Zhen.

O pequeno Yin Si mostrou o rosto rubro pelo calor do cobertor, os olhos cheios de mágoa. Na véspera, visitara apenas o Quarto Irmão no Palácio Yuqing, mas logo fora repreendido por muitos: o Sétimo Irmão questionou se ele sabia o que fazia; a concubina Hui comparou-o sempre com o irmão mais velho; até a ama de criação contou a história do lobo de Zhongshan, insinuando que, no palácio da concubina Hui, era preciso ter cuidado com as palavras. Sem desejar punir a ama, acabara por se trancar sozinho, remoendo a ira.

Vendo aqueles olhos úmidos e límpidos, cheios de “ninguém entende o senhor, todos os adultos são maus”, Yin Zhen sentiu-se secretamente feliz. Após tornar-se imperador, também suspirava sozinho à lua — quem poderia entender o coração do soberano? Eram, afinal, almas afins, unidas pela incompreensão.

Puxou o menino para fora do cobertor e, com seriedade, disse:

— Vem cá, o Quarto Irmão vai ensinar-te. Se não queres enfrentar algo, fingir doença é um truque de segunda categoria. Se a mãe Hui mandar um médico imperial, logo serás desmascarado. Pensa bem: se o imperador souber que fingiste doença para evitar responsabilidades, o que pensará de ti?

Yin Si, ainda criança, detestava ser repreendido. Desviou o assunto:

— O Quarto Irmão pensa demais. Aqueles médicos sempre diagnosticam “resfriado ocasional”. E ouvi do Nono Irmão que, se beber uma tigela de chá quente antes da consulta, eles se deixam enganar.

Yin Zhen ficou furioso: o velho Nove só tinha seis anos, o que sabia ele? Decerto era mais um truque da concubina Yi. De fato, quem se aproxima da tinta, acaba manchado!

Inspirou profundamente, retomando o sorriso:

— Chega, não falemos mais disso. Hoje trouxe lichias de Lingnan para ti; vamos comer juntos? — Afinal, eram adversários de uma vida, e o velho Oito já demonstrava a teimosia sob a aparência frágil. Se insistisse na repreensão, só acabariam brigando.

No fim das contas, bastava cativar o irmão; o resto era irrelevante.

Yin Si, criança, logo esqueceu a bronca perante a promessa de guloseimas, especialmente porque adorava o sabor furtivo de uma mordida escondida. Ao ouvir falar de lichias, seus olhos se iluminaram e veio para perto. Frutas de Lingnan raramente chegavam ao palácio; quando vinham, eram oferecidas primeiro ao Palácio Qianqing e ao Palácio Cining. Mesmo na corte da concubina Hui, metade era reservada ao irmão mais velho. Lichias, que mudam de cor em um dia e de sabor em três, só eram encontradas em maior quantidade nos aposentos do príncipe herdeiro.

No sorriso do irmão, Yin Zhen sentiu de súbito a estranha sensação do verso: “Uma cavalgada levanta poeira vermelha e faz sorrir a concubina — ninguém sabe que vêm as lichias.”

Enfim, os dois irmãos ficaram juntos, descascando lichias e dividindo a doçura da fruta, lambuzando um canto do cobertor antes de se despedirem para dormir.

No caminho de volta ao Palácio Yuqing, Yin Zhen ia, pouco a pouco, revisando o plano de “criar em cativeiro” o irmão mais novo.

Forçar ou isolar o velho Oito do velho Nove só traria o efeito contrário, talvez até despertando o lado rebelde do Oito — seria perda total. Melhor seria conquistar o líder do grupo, cativando-o por completo.

Nota da autora: Cheguei ao ponto de, masoquisticamente, atualizar todos os dias — ajoelho-me. Não aguentava ver um capítulo solitário ali.

Amanhã é o Dia das Crianças; quem tem filhos em casa entende. Não esperem atualização amanhã — este capítulo já conta como o de amanhã.

Antes do 37º ano de Kangxi, o Quarto e o Oitavo Irmãos se davam muito bem, então não há vergonha no Oitavo agir fofo e manhoso desta vez.