Capítulo Um: Conspiração
“Deus da Medicina, o velho Qin foi envenenado e agora está entre a vida e a morte. Por favor, imploramos que lhe salve a vida!”
No pequeno pátio da família Luo, Ye Cheng estava estendendo roupas. Diante dele, um robusto homem trajando farda militar ajoelhava-se com uma determinação férrea, suplicando com amargura.
“Certa vez, arrisquei minha vida para proteger a linha de frente. Ele, sendo um alto ministro de Yanxia, insatisfeito com o crescimento do nosso exército e temeroso por sua própria posição, ousou peticionar ao Imperador Dragão, privando-me do cargo e confiscando todos os meus bens.
Agora, ao ser envenenado por um inimigo, espera que eu intervenha para salvá-lo? Hmph! Acha mesmo que sou capaz de ignorar as mágoas passadas para salvar a vida desse cão?”
Ye Cheng não interrompeu seu labor, resmungando friamente.
O militar, com o rosto tomado de vergonha, era Qin Siyuan, filho adotivo do velho Qin. Naturalmente, sabia bem o que seu pai fizera a Ye Cheng nos últimos anos.
Ye Cheng fora outrora um simples soldado que, graças às inúmeras conquistas e à maestria na medicina, ganhou fama nos exércitos como um Deus da Medicina incomparável, admirado por milhares e elevado ao posto de comandante supremo de Yanxia.
Contudo, seu poder crescente despertou a inveja e o temor de muitos. Até mesmo Sua Majestade, o Imperador Dragão, considerou seus méritos excessivos. O velho Qin, então, serviu de carrasco, retirando-lhe cargos e recompensas, expulsando Ye Cheng do centro de poder de Yanxia. Desde então, Yanxia jamais voltou a ter um Deus da Medicina sem igual—restou apenas o homem comum, Ye Cheng.
Tomado pela ira, Ye Cheng retornou a Liuzhou. Porém, sem recursos para comprar os remédios que poderiam salvar sua mãe, viu-se obrigado a casar-se na família Luo, trocando sua dignidade pelas preciosas ervas.
“Pode ir embora. Não o salvarei.”
Ye Cheng voltou-lhe as costas e partiu sem olhar para trás.
“Eu hei de convencê-lo a salvá-lo, custe o que custar.”
Olhando para as costas de Ye Cheng, Qin Siyuan murmurou consigo. Independentemente dos rancores entre seu pai adotivo e Ye Cheng, apenas Ye Cheng poderia salvá-lo! Dali em diante, Qin Siyuan não desperdiçaria nenhuma oportunidade.
“Por que é tão lento? Até para estender roupas se arrasta! Venha ao meu quarto, ainda tenho roupas para lavar.”
No salão, uma jovem de feições puras e corpo esguio estava de pé, mãos na cintura, ordenando com voz imperiosa.
Era Luo Yu, cunhada de Ye Cheng; tratava-o sempre com imensa aspereza, e hoje não era diferente.
“Está bem.”
Há três anos, ao casar-se na família Luo, tornando-se genro de posição humilhante, Ye Cheng já havia se resignado a tudo aquilo, suportando-o em silêncio apenas para garantir os medicamentos caros e essenciais à vida de sua mãe. Para seu corpo robusto, tais tarefas domésticas não passavam de trivialidades.
“Tome!”
Ao seguir Luo Yu até o quarto, Ye Cheng viu-a lançar-lhe uma pilha de roupas leves. O suave perfume da jovem impregnava as peças, invadindo-lhe o olfato.
Já faziam três anos desde que se casara com Luo Qiuyu, irmã de Luo Yu, e jamais consumaram a união. Forte como um dragão, Ye Cheng não pôde evitar aspirar profundamente aquele aroma.
“Cunhado, é cheiroso?”
Por algum motivo, naquele instante, Luo Yu olhava-o com olhos semicerrados, plenos de sedução, e sua voz tornara-se suave como seda, completamente diferente do habitual.
“É, sim.”
Ye Cheng respondeu por instinto.
“Cunhado, sei que minha irmã jamais permitiu que você a tocasse todos esses anos, deve estar sofrendo muito, não? Em troca de lavar minhas roupas, quer que eu te ajude? Do jeito que quiser…”
De repente, Luo Yu enlaçou o pescoço de Ye Cheng, colando o corpo voluptuoso ao dele. O perfume inebriante apossou-se de Ye Cheng, e a visão profunda entre os seios fez seu coração disparar, o sangue fervendo como lava.
Nesses três anos de genro humilhado, Ye Cheng de fato sofrera muito; ainda mais diante de uma beleza pura como Luo Yu—poucos homens resistiriam.
“Ye Cheng, o que está fazendo? Seu canalha!”
Nesse momento, um estrondo ecoou do lado de fora. A porta foi violentamente arrombada e Luo Qiuyu entrou, tomada de fúria, empunhando o celular e fotografando sem cessar.